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    LEGISLATURA 2017-2020
    Presidente Atual
    Marcos Antonio Rodrigues
Capítulo 2 - Da fé a emancipação política
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Da fé a emancipação política 

A história de uma comunidade há de se considerar sob os diferentes aspectos políticos administrativos, sociais e econômicos. Portanto a religião católica, como no caso de Borborema assinala fatos intimamente ligados à evolução do município que, por isso, completa a história no geral. No século passado a paróquia de São Bento de Araraquara abrangia grande extensão territorial, isto é, quase toda a zona da antiga Douradense e a Araraquarense. Na cidade de Boa Vista das pedras atual Itápolis, o Curato do Espírito Santo das Pedras, foi fundado em 28 de fevereiro de 1871 e foi elevado em 23 de agosto de 1898 à categoria de paróquia, a qual posteriormente a vila de Fugidos passou a pertencer. 

As difilculdades eram tantas, que a palavra substituía todos os documentos escritos, selados e firmados de hoje. Construir a capela, o cercado para o Cemitério, reparar e abrir estradas, ligando sítios e os lugares vizinhos, e todas as medidas práticas necessárias ao progresso do patrimônio, eram acertadas verbalmente. A primeira missa celebrada em Fugidos, foi em 1902 pelo padre João de Arruda de Ibitinga. Em 1903, depois de doado o terreno para o patrimônio de São Sebastião, foi celebrada outra missa pelo padre Antônio Chirinea coadjutor de Boa Vista das Pedras, com sede em Ibitinga. Todos os melhoramentos eram feitos por verdadeiros mutirões. 

Foi assim que, com ajuda dos materias disponíveis, foi construída a capela do patrimônio, marco inicial e de maior valor em quase todas as cidades brasileiras, desde o descobrimento. O lugar destinado à Igreja, era de propriedade de Lourenço Costa, no local estava ocupado por uma plantação de milho que teve a colheita apressada, para poder-se demarcar o largo. Essa capela foi construída em mutirão, com paredes de taipa, isto é, com vigas de coqueiro, ripas de bambú e barro calcado, sob a direção de Joaquim Vieira, em 1904. O sino adquirido foi colocado ao lado debaixo de um telheiro, simples. 

Ali se realizavam então as cerimônias religiosas de “Os Fugidos”. Nesses tempos o padre de Itápolis, vinha ao menos uma vez por ano, geralmente em janeiro, para batizar, confessar e fazer os acumulados casamentos. O médico doutor Pedro Luiz Bocca relembra como era os namoros antes do casamento, naquela época. 

O casamento era para valer. Havia, antes, o namoro dos jovens, que era um namoro simples. Chamava naquele tempo de “tirar linha”. Era um namoro distante, não havia muito contato físico, nem abuso de sexo, que até era um absurdo. O que recomendava um moço, era ser de família honesta, direita, bem conceituada. Se o moço era trabalhador, não tinha vícios... Se a moça era prendada, de boa família, se não tinha má fama, se sabia bordar, cozinhar, ou seja o dever de uma dona de casa... Aí então, com pequenos contatos e algum baile, coisa simples e inocente, vinha o noivado e depois o casamento...”. O padre aproveitva a data de 20 de janeiro para festejar São Sebastião, o padroeiro, e fazer uma verdadeira missão catequética. 

As procissões eram muito concorridas, acompanhadas por banda de música e fogos em exuberância. Ao se recolher a procissão, uma salva de 21 tiros de bateria encerrava os festejos. Durante a procissão as moças com um pires coberto por um lenço pediam esmolas para a manutenção da igreja. Terminava assim, a missão anual e o padre numa última reza ou num último leilão indicava os festeiros para o janeiro seguinte. 

Essa capela encontrava-se em precário estado de conservação, quando em 1918, foi nomeada uma comissão encarregada de levantar fundos e administrar a reforma necessária, sob a orientação do Cônego Manoel Borges Pereira, de Itápolis, que atendia também a capela de Borborema. A comissão era integrada pelos senhores Pedro Passos, João Batista Leme, Pedro de Carvalho, Joaquim de Castro Pereira e Gabriel Maria da Veiga. Mas com poucos recursos apurados, a reforma da capela se desenvolvia sem continuidade. 

Então essa comissão de homens foi substituída em 1921 por outra de mulheres que conseguiu terminar a obra de reconstrução com paredes de tijolos, bem maior e uma pequena torre lateral para o sino. Neste mesmo ano em 5 de setembro foi criada a paróquia, e instalada em 11 de setembro, como Curato (igreja com padre diariamente). Essa eficaz comissão foi composta pelas senhoras Henriqueta de Carvalho, Maria Amélia da Silva Leme, Bárbara Silveira Bueno e Maria Jovita Leme de Freitas. A professora Rosina Caricari Inaco, relata as religiões existentes na época: “A religião predominante era a católica, seguida com pontualidade e respeito. Havia ainda na sede da cidade uma Igreja Presbiteriana e alguns praticantes do espiritismo”. 

Borborema ainda era distrito de Itápolis. E, por uma lei da Prefeitura Municipal de Itápolis, para esmolar pelas ruas da cidade, “o candidato tinha que provar sua incapacidade de prover a subsistência por outro modo” (Lei nº 94 de 1907). 

Estabelecido esse pré-requisito, o indivíduo tirava na Prefeitura uma chapa “correspondente ao número de sua matrícula”, que deveria ostentar “presa na lapela”. A prefeitura dava-se o luxo de fiscalizar e punir aqueles que, “com chapa emprestada ou alugada”, explorassem a boa fé dos cidadãos. Nessa legislação colhida pelo historiador José Toledo de Mendonça, de Itápolis, sobressaem dois detalhes. O mais notável é o fato de que os mendigos usavam paletó. Caso contrário, como iriam pregar suas chapas na lapela? E mais interessante é o próprio fato de a Prefeitura de Itápolis burocratizar a mendicância, porque os pedintes deveriam ser obviamente muito poucos. A lei certamente atingia os distritos. É de se pensar, portanto, que naqueles tempos de grande pobreza material e tecnológica, a alimentação era suficiente para todos da família. Hoje, modernos caminhões carregam cereais em alta velocidade por rodovias asfaltadas. Em uma hora, as laranjas de Borborema atingem o complexo agro-industrial de sucos. Naquela Matão onde eram comercializados os produtos produzidos na vila. Suco para o primeiro mundo. 

A democracia como forma de governo nacional, tinha e ainda tem sua interpretação conforme o grau de cultura e conveniências locais. Em todo o interior e inclusive em Borborema predominava, os coronéis, prepotentes e únicos, o chefe político que organizava uma “panela” de correligionários incondicionais. As eleições eram manobradas, distribuindo, a sua vontade nos cargos públicos, prefeito, vereadores, delegado e professores. O sistema eleitoral consistia na eleição de seis vereadores para o mandato de três anos, que por sua vez elegiam o prefeito, cada ano, podendo ser qualquer cidadão municipal. 

Mas o prefeito quase sempre saía da própria câmara, pois seus membros elegiam-se alternadamente, revezando-se nos cargos administrativos. Borborema foi elevada a município pela lei nº 2089 de 19 de dezembro de 1925, separando-se do território de Itápolis cuja comarca ficou pertencendo. A sua instalação oficial ocorreu em 21 de março de 1926. Em 1938 a cidade passou para a comarca de Ibitinga, cuja jurisdição pertenceu até 1964, quando voltou para a comarca de Itápolis. 

Quando Borborema passou a município a direção política pertencia a Manoel Silveira Bueno. A cidade tinha 120 cassas e quinhentos habitantes, o município ao todo teria seis mil habitantes, os passos depois da emancipação política foram difíceis, desmembrado do município de Itápolis tinha que se organizar por sua conta. A arrecadação de impostos iam além dos cinqüenta contos de réis. 

A primeira câmara de vereadores eleita era composta de Pedro Carvalho de Andrade (presidente), José Laporta (vice), Pedro Claudino, doutor Lauro Torres Resende, Dante Cordiglione e Flávio Simões, que tomou posse em 21 de março de 1926. O primeiro prefeito eleito foi Flávio Antônio Simões, para o período anual até 15 de janeiro de 1927. O novo município talvez necessitado para o pagamento de despesas urgentes, por intermédio de sua câmara fez um empréstimo de 120 contos de réis a juros de 1% ao mês, capitalizados semestralmente. Adquiridos de um capitalista de Amparo. Houve discussões e acirrados debates na câmara a propósito desse empréstimo e por não concordarem com o mesmo foram eleiminados os vereadores José Laporta e Pedro Claudino, substituídos pelos suplentes. Esse empréstimo que ficou pesado ao município só foi resgatado integralmente em 1936. 

No último ano do triênio, foi prefeito, pela primeira vez, Manoel Silveira Bueno. Nova eleição para administração de 1929. Elegeram-se para vereadores André Resende de Freitas (presidente), Paulo Pires (vice), Lindolfo Antônio de Souza, Flávio Antônio Simões, Manoel Silveira Bueno e João Bento dos Passos. Sendo eleito prefeito, Flávio Antônio Simões. Em 1930, na eleição para prefeito houve empate de votos entre André Resende de Freitas e João Bento dos Passos, sendo esse empossado por ser mais velho. Mas foi destituído do cargo pela revolução federal de Washington Luiz Pereira de Souza. É saborosíssima a avaliação que o médico doutor Bocca faz da política municipal dos anos de 1950, cujos resultados eram comemorados pelos vencedores com bailes que se prolongavam durante meses, todos os sábados. 

O motivo da alegria (com a vitória) era motivo de baile e festa. A política era para valer. Era o seguinte: havia sempre ‘a favor’ e ‘o contra’ – sempre dois partidos que, aliás, deu certo, porque esse negócio de ter, 4, 5, 6, 7... é besteira. Ou se é a favor ou contra. Então era apaixonante. A política é um fenômeno necessário na vida de qualquer agrupamento humano”. É reconfortante encontrar tal valorização da política, quando a Rede Globo tanto se esforça para desqualificar toda e qualquer ação dos políticos. Realmente muito lúcido o nosso doutor. Considera que Borborema é uma boa cidade, graças à sua política “para valer”. Sinto que minha hipótese sobre a capacidade de luta de seus cidadãos é verdadeira, prova disso é o envolvimento dos borboremenses em revoluções e lutas.

Autor: 
Jornalista José Commandini Neto 
netoborbo@bol.com.br

 

 

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