Seu Navegador não tem suporte a esse JavaScript!
 
  • Marcos Antonio Rodrigues - DEM
  • Vereadores
    LEGISLATURA 2017-2020
    Presidente Atual
    Marcos Antonio Rodrigues
Hora: 00:00:00
Capítulo 5 - A educação com cheiro de café
Webline Sistemas

A educação com cheiro de café 

A primeira escola de classes mistas para alfabetização na vila de Fugidos foi instalada em 7 de fevereiro de 1907, por portaria da Intendência Municipal de Boa Vista das Pedras antigo nome da cidade de Itápolis. Foi nomeada para o cargo a professora dona Maria Jovita Leme de Freitas (Mariquinha). A instalação do mobiliário da escola, muito rudimentar, era por conta da professora. As carteiras eram substituídas por bancos compridos, em planos diferentes, as meninas de um lado e os meninos de outro. As bolsas dos alunos geralmente eram em bornais de pano carregados a tiracolo, levando, com muito cuidado, o seu tinteiro para os exercícios de escrita. 

A disciplina era representada pela palmatória, que ficava a vista de todos, na mesa da professora, e colocava no eixo qualquer rebelde nos estudos. Esse “instrumento pedagógico”, símbolo da instrução naqueles tempos, não era aplicado com rigor, pois a professora não tinha coragem suficiente para usa-lá conforme mandava o costume da época. Dos alunos distraídos era chamada a atenção para a lição do dia por meio de uma longa vara de bambú que, de vez em quando, encontrava uma orelha no jeito. Os estudantes aprendiam à tabuada numa ladainha cantada em aula. A caligrafia de letras verticais e redondas, a leitura, a geografia e a história do Brasil eram aprendidas com o livro Minha Pátria. Dona Mariquinha colaborou na organização da paróquia, fazendo parte de uma comissão de senhoras que construiu a igreja maior feita de tijolos em substituição à primitiva, primeira capela de taipa e madeiramento com vigas de coqueiro. Essa também foi substituída e, hoje Borborema conta com uma gigantesca igreja matriz. A antiga comportava cento e cinqüenta pessoas e a atual, mil e quinhentas. 

Dona Maria Jovita Leme de Freitas era esposa do senhor Urbano José de Freitas e, foi à pioneira do ensino primário em Borborema, perseverando nessa tarefa até a criação pelo governo estadual, das Escolas Reunidas, em 1921. Conseqüentemente, representa o marco inicial da instrução pública do munícipio. A educação sempre foi valorizada pelas famílias borboremenses. A professora Rosina Caricari Inaco que hoje também pode ser considerada umas das heroinas de nossa história, foi à única mulher entrevistada pelos jovens estudantes na época, sua entrevista foi-nos útil para o capítulo da memória da educação, lecionou no Bairro da Vila Orestina, mais conhecido como Pio XI. 

A professora Rosina Caricari contou que naquele tempo (1936) havia na sede do município, um grupo escolar, com um diretor e oito professores e, na zona rural, escolas isoladas. Os professores rurais residiam nos bairros (rurais) onde suas escolas funcionavam. Sabemos que em suas recordações estava contida sua vivência de professora. Anos 30, anos 40, tempo em que os professores moravam na zona rural, o namoro era na “casa da moça” e os nascimentos aconteciam nos domicílios por mãos de parteiras. 

O senhor Viu contou aos jovens entrevistadores que, como era de descendência espanhola, no recreio as professores o chamava para conversar, porque, segundo ele, elas gostavam de ouvi-lo falar por causa do sotaque. Recorda que, no tempo que estudava, não havia escola rural e ele e o irmão andavam dois quilômetros e meio a pé para ir à escola na cidade. “Não era o tempo do grão de milho, vara de marmelo, palmatória. Mas elas (as professoras) eram rígidas. Régua na cabeça se quebrava. Muitas e muitas. Na minha cabeça se quebrou muita régua” relembrou. Há entrevista do senhor Viu que deveria ficar para a memória da educação, porque é uma situação educacional atípica e faz parte do contexto de sua grande admiração pelo pai, que tinha ansiedade para que os filhos aprendessem a ler e escrever. 

Ele disse que quando saíram do bairro Cabeceira, ficou longe da escola. E seu pai contratou um professor chamado André, que andava perdido por essas terras. Onde segundo ele era muito competente, tinha uma grande bagagem de conhecimentos. “Ele não queria de maneira nenhuma que nós esquecessemos. Trabalhava o dia todo sem descano, começava quando clareava o dia até quando escurecesse a noite. Chegava em casa, tomava banho, jantava e um descansozinho e depois ele chamava. Ei! Tarefa! Tarefa que jeito? Coitado de nós. Ficava lendo, escrevendo, fazendo contas”. 

É comovente o sacrifício desse agricultor. Empenhado em que seus filhos não esquecessem o que havia aprendido na escola da cidade, contrata o professor, dá-lhe casa e comida. Uma história da educação brasileira deverá ser feita nos moldes da nova história, levando em conta a especificidade das situações que viveu o Brasil agrário com toda qualidade de situações que ainda enfrentamos, somadas aquela época, às dificuldades de comunicação. 

No primeiro mandato de Hermes Fernandes Vasques como prefeito municipal (1948-1951) obteve-se do governo estadual liberação de verba para a construção do Grupo Escolar “Manoel Silveira Bueno”. E em seu segundo mandato (1956-1959), foi criado o Ginásio Estadual, em 16 de outubro de 1956, e instalado em 7 de setembro de 1957, com o prédio construído pelo município e população, cedido ao estado. Foram matriculados no primeiro ano de fundação do ginásio, 356 alunos. 

Teve papel efetivo na criação e instalação do Ginásio o deputado estadual Geraldo Silveira Bueno. Hoje o Ginásio Estadual foi transformado em escola de ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e Médio (1ª a 3ª série), denominado E.E. “Dom Gastão Liberal Pinto”, homenagem prestada ao eminente bispo da diocese de São Carlos. Na gestão de Júlio Luiz Pegorin (1952- 1955), dotou a zona rural com dez escolas construídas em diferentes bairros, hoje extintas. Havia alunos que estudava em outras cidades, o senhor Luiz relembrou a preocupação dos pais: “Você precisava ver os ônibus dos que iam estudar fora daqui (...) E o desespero nosso de esperar nossos filhos voltarem, porque chovia e encalhava. A gente precisava ir encontrar com eles e tirar do barro”

Atualmente no município além dos colégios já citados, possui mais quatro escolas que são: E.E. “Profª Leonilda Lopes Biasotto”, criada em 31 de janeiro e instalada em 23 de março de 1985 durante a gestão do então prefeito José Carlos Biasotto, “Centro de Educação Cantinho Feliz” fundado em 01 de fevereiro de 1986; “Colégio ABC Júnior” fundado em 01 de fevereiro de 1996, ambas de ensino particular surgiram por iniciativa do casal Vaifro Barbosa Júnior e Angela Batista Barbosa, sendo um marco muito importante na história e na qualidade da educação local, e a última escola a ser fundada em nossa cidade é a EMEI “Profª Ana Rosa”, instalada em 17 de dezembro de 2004 na última gestão do prefeito já citado José Carlos Biasotto

Neste ano em que comemoramos o Centenário do inicio da educação local, nos surpreendemos ao perceber que nunca se homenagearam a nossa primeira professora Dona Maria Jovita Leme de Freitas. Mas a nossa maior homenagem é não deixar nunca que essa heroina tão importante seja esquecida pelo tempo. 

O senhor, Viu recordou também o avô materno no contexto do complexo cafeeiro. “Ele foi muito bem sucedido. Seis anos depois que veio da Espanha já deu para comprar uma propriedade, formar café. Naquele tempo, no auge do café, formou-se Ribeirão Preto, Campos Elísios em São Paulo. Café era tudo”. Na frase expressiva – “Café era tudo”- está o século XIX. O senhor Viu o comparou com os críticos anos 30 da sua infância, quando tudo era mais difícil e seu pai, com uma carroça e uns burros, transportava pedras para o alicerce da igreja. O café, produto agrícola de maior expressão econômica na balança comercial do país, teve sua cultura desenvolvida inicialmente no Vale do Paraíba. 

Deslocando-se continuamente para o oeste, a procura de terras novas e férteis teve sucessivamente zonas de maiores plantios e produção: Campinas e Ribeirão Preto. Ganhou depois a Noroeste e a Alta Paulista e, finalmente, o Paraná, que em 1933 produzia somente quinhentos mil sacos beneficiados. Neste ano o Brasil produziu 30 milhões de sacos de café beneficiado. Em São Paulo, 20 milhões foi o máximo. Dessa data em diante, começou a decadência dos números e estatísticas. Foi à fase em que tínhamos um excesso sobre a exportação de 18 milhões num ano agrícola. A crise teve início em 1930. 

Em Borborema começou a se desenvolver o cultivo do café em 1916. Por esse tempo a cidade tinha dois terços de seu território em matas. Não havia sementes selecionadas, não se defendia o terreno contra a erosão, a adubação mineral era desconhecida e, aproveitavam-se culturas intercaladas de milho, arroz e feijão. Essas culturas esgotavam a terra, contribuindo para a produção média relativamente baixa de 30 sacos por mil pés. O município de Borborema chegou a possuir seis milhões de pés de café em 1931. Em 1965, pagava-se em Borborema por um saco de café não beneficiado 75 mil réis. Com queda dos preços, vendeu-se café a seis mil réis o saco em 1930. O regulamento de embarque do café beneficiado para exportação exigia a quota do sacrifício de 40%, isto é, venda obrigatória ao Departamento Nacional do Café, ao preço das despesas. 

Foram construídos grandes armazéns reguladores, denominados “cemitérios” porque o café de quotas era destinado à queima. Os maiores municípios cafeeiros do estado eram Pirajú, com 317 milhões, e Ribeirão Preto, com 33 milhões. O Estado de São Paulo, ao todo, possuía 1,5 bilhão de cafeeiros. Não era raro, em muitos municípios, fazendeiros possuidores de um milhão de pés de café. Foi o tempo da “vaca gorda” para os cafeicultores. 

Os maiores proprietários de café do município, em 1931, eram Antônio Ramos, com 250 mil pés, Miguel Rodrigues e Rachid Rayes, ambos com 150 mil pés, Amadeo Zuliani, com 120 mil pés, Antônio Martins Carvalho e José Gabriel Curi, com 110 mil pés cada, Felício Biasotto, Francisco Lopes da Silva e Nicolau Pizzolante, que possuíam 80 mil pés. Os cidadãos borboremenses sempre se mostraram trabalhadores, mas sempre tinham um tempo dedicado ao lazer, que naquela época era junto à natureza.

Autor: 
Jornalista José Commandini Neto 
netoborbo@bol.com.br

 

 

Enviar esta notícia para um amigo

Reportar erro



Próxima Sessão

9ª SESSÃO ORDINÁRIA 2018


30/05/2018 - 19 HORAS

Assista ao vivo neste site.