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Capítulo 1 - Borborema sua origem
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Borborema: sua origem 

Há antigos mapas do Estado de São Paulo datados, do começo do século passado, apontam para uma grande parte do oeste identificada como “terrenos inexplorados”. A guarda avançada nessa boca de Sertão era a cidade de Araraquara. Daí em diante, rumo às barrancas do Rio Paraná até o Porto Taboado, na divisa com Mato Grosso, havia uma estrada precária. Era a via de penetração para o interior, pontilhada de lugarejos que deram origem às importantes cidades ao longo da antiga Estrada de Ferro Araraquarense. Nesse percurso, depois de Araraquara vinha Matão, o lugar mais perto e de maior conveniência para o comércio dos municípios de Boa Vista das Pedras atual Itápolis, Ibitinga, e para os poucos habitantes que se localizavam na antiga vila de Fugidos. 

De 1900 em diante começou a proceder para região, desbravadores do sertão que procediam de Ribeirão Bonito, Dourado, Brotas, Bocaina e Boa Esperança do Sul. Eram posseiros que se deslocavam para esta região movidos pela fácil aquisição de terras virgens, seja por compra ou como posseiros, pois haviam muitas terras desocupadas. A posse das terras desabitadas era facilitada ao máximo, tanto que a “Fazenda Fugidos” que constituiu a maior parte do município (catorze mil alqueires aproximadamente) era propriedade, inicialmente de três posseiros. Aliás, esta é uma constante na historiografia. Há sempre alguém antes da chegada dos fundadores, índios por exemplo. No caso de Borborema, havia posseiros. 

Quem conta a história é o senhor Wilson Silveira Bueno, que além de agricultor foi chefe da sede local do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem, portanto, a memória bem sistematizada. 

Segundo ele foram esses posseiros que deram ao ribeirão que passa pela região central da cidade e hoje é considerado o marco zero da fundação, o nome de Fugidos, que tem a seguinte história. No tempo da escravidão no Brasil, alguns escravos foragidos de fazendas nas imediações de Araraquara formaram uma espécie de quilombo nas margens desse curso d’água. Com o desbravamento do sertão, esses ex-escravos foram dispersando-se, permanecendo, porém, três negros remanescentes. Quando os posseiros chegaram encontraram os fugitivos vivendo em estado selvagem nas margens do ribeirão. Esses negros não sabiam que mais de dez anos antes em 13 de Maio de 1888, um domingo, a Princesa Isabel havia assinado a Lei Áurea, pela qual ficava abolida a escravidão no Brasil.

Não são conhecidos os nomes dos primeiros posseiros e tampouco os dos escravos fugidos. Porém, os negros deixaram registros na linguagem regional. Deram nome ao ribeirão que corta o município e ao próprio povoado, nos seus primórdios. Mas é uma referência apenas à sua condição, de fugitivos assim como nas terras entre Araraquara e São Carlos onde existia um Quilombo, que deu nome a uma sesmaria. 

A divisão dessa fazenda, iniciou-se em 1902, sendo os conseqüentes limites e correções das áreas subdivididas, homologadas por sentença judicial no juizado da comarca de Boa Vista das Pedras (Itápolis), em 1903. Os trabalhos de agrimensura foram feitos pelo engenheiro doutor Vitor Garbarino, residente em Novo Horizonte. 

Nessa época, já havia diversos moradores que procuravam unir-se para fundar um patrimônio, lugar para reunir os habitantes dispersos. Os primeiros que aqui chegaram, contribuindo para a formação do novo arraial foram José Claudino do Nascimento, Antônio Flávio Simões, José Rosa da Silva, Pedro Maximiniano, Florêncio Baldino e Nicolau Pizzolante

O povoado, foi fundado em 12 de maio de 1902, a 30km de Itápolis, deu origem a cidade de Borborema. Os proprietários da Fazenda Fugidos já estavam com suas áreas delimitadas, aguardando somente a ratificação judicial, o senhor Nicolau Pizzolante convocou todos os interessados para dar início aos trabalhos para a fundação do patrimônio. Compareceram à primeira reunião os indivíduos acima mencionados que após outras subsequentes reuniões resolveram o seguinte: doação pura e simples da área de vinte alqueires de terras destinada ao perímetro urbano. 

Provavelmente, os primeiros moradores não gostavam muito do nome com o qual o povoado fora batizado em seu nascimento. De acordo com a história oficial, o local era próspero. As terras férteis e inexploradas, atraíam novos moradores interessados em expandir a produção agrícola. 

“Fugidos”. Era questão até de marketing populacional. Aqueles que se mudavam para o povoado deviam sentir certo constrangimento ao informar os amigos sobre o novo endereço. E brincadeiras seriam inevitáveis. Mas elas ganham força quando observamos que logo em 1909, o povoado de Fugidos mudou de nome. Por força da lei estadual nº1196, promulgada em 29 de dezembro de 1909, foi criado o primeiro Distrito de Paz sendo o primeiro subdelegado Joaquim Vieira de Camargo. 

É intrigante o fato: o nome das terras altas do Estado da Paraíba – Borborema - aplicado a uma cidade do interior do Estado de São Paulo. Eis que o senhor Wilson, esclarece, quem escolheu o novo nome do povoado: “Essa denominação foi dada por Nicolau Pizzolante, (um dos fundadores), inspirada na informação de que essa palavra indígena seria sinônimo de Serra Alta, apesar de não haver nas imediações nenhuma serra. Corria na época que Nicolau tinha um amigo íntimo, paraibano, nascido nos arredores da Serra de Borborema, e houvesse sugerido esse nome”. 

Mas, como fundação e nome de cidade não passa sem polêmica, é o próprio senhor Wilson lembra, que “segundo os entendidos, Borborema significa terra sem ninguém”. 

O nome Borborema é de origem Tupi. Essa palavra, segundo glossários especializados, é formada de “Porpora-Eyma”, que, traduzida literalmente ao português, quer dizer “sem gente”, termo usado para designar lugares ermos, despovoados e desérticos. 

A Borborema do começo do século passado tem casas rústicas, cobertas de sapé. Foram sendo construídas com base no alinhamento da casa de Nicolau Pizzolante, que era de melhor acabamento, com cobertura de telhas. Nicolau se destaca nos depoimentos dos moradores mais antigos. Aparece de forma expressiva, por exemplo, na fala do senhor Miguel Di Bacchi, de 95 anos, agricultor e morador do Bairro Dourado, que o conheceu. 

Ele nos conta que: “Nicolau tinha serraria, serrava madeira e tomava conta da igrejinha aqui em Borborema. Ele serrava madeira e tomava conta da paróquia. Ele era padre, não é? Ele fazia batizado, ele benzia corpo também, defunto não é?” Figura notável, misto de padre e serrador de madeira. Certamente uma grande liderança. Foi quem deu o nome ao município. 

Os fundadores também decidiram que, o largo onde seria construída a capela deveria ter a área de dois quarteirões e localizar-se a margem direita do Córrego do Sapé, a primeira capela do povoado, foi coberta de sapé. Construída de taipa, sob a invocação de São Sebastião dos Fugidos. A devoção a São Sebastião foi traziada por moradores oriundos de Boa Esperança do Sul, que tem o mesmo padroeiro. A capela foi erguida em terreno onde houvera uma plantação de milho. Reservaram também um quarteirão, em lugar a combinar, à margem esquerda do mesmo córrego para outra futura capela em louvor a São Benedito. 

Informações saborosas. Sugerem um povoado tipo presépio: as casas cobertas de sapé, a igreja também, em meio à plantação de milho. E a marca dos fugidos: São Sebastião dos Fugidos, ainda hoje o padroeiro do município. 

Aos 82 anos, o senhor Luiz Torres, agricultor nos conta que, morava em Itápolis e só em 1935 se mudaria para Borborema. Sua infância, no entanto, está marcada por fatos referentes ao município que não sabe precisar bem. Ele, quando menino, presenciou a entrega da carta que nomeava o senhor Urbano José de Freitas sub-prefeito da Vila de Borborema, em 16 de Janeiro de 1911, e diz ter jantado, junto a seu pai, com os políticos de Borborema e Itápolis. 

Não é fácil captar na memória dos nossos personagens os dados mais precisos a respeito das duas primeiras décadas do século. Mas há também o senhor Saul Leme, com 99 anos no momento da entrevista, nasceu em março de 1905, em Ibitinga. Em 1916 começou a freqüentar a escola, se mudou para Borborema em 1918. 

Em 1916 em Borborema havia uma única professora no povoado. E atraía para lá uma criança de 11 anos, cujos pais valorizavam muito a educação. Tanto que se mudaram para o povoado dois anos depois. A entrevista do senhor Saul também é preciosa para visualizar os estilos de vida nos pequenos povoados que se formavam por aqui no início daquele século. Ele nos conta que Borborema era pequena, e que o meio de transporte era o trole. 

Os troles eram veículos de quatro rodas e dois assentos, isto é, a boléia na frente para o condutor e o banco de trás para os passageiros. Levavam até três pessoas, sendo relativamente leves, próprios para as antigas estradas, cheias de buracos e com largos trechos de erosão. Foram esses veículos o meio de transporte de passageiros de que dispunha Borborema naquela época. Eram puxados por duas parelhas de animais, enfeitadas com guizos, que chocalhavam na travessia. Desanimava e cansava o passageiro. Às vezes mulheres e crianças, nas quatro ou cinco horas de viagem até Ibitinga ou Itápolis. 

De longe, ouvia ou percebia o trole que vinha pela estrada. Ao entrar na vila, pelas ruas onde passava, atraia a atenção dos moradores, curiosos para saber notícias do viajante que chegava. Os troleiros, com base de operação em Ibitinga, dispunham de dois ou três troles para atender os interessados. Cobravam vinte e cinco mil réis por viagem de Borborema a Ibitinga, quando chamados pelo telefone. Esses veículos de grande utilidade no transporte de passageiros, no sertão, reinaram por vinte anos, até o início da era do automóvel.

Autor: 
Jornalista José Commandini Neto 
netoborbo@bol.com.br

 

 

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