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Borborema, 22 de fevereiro de 2018 | COMO CHEGAR ATÉ NÓS ATRAVES DE SUA LOCALIZAÇÃO:
















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Capítulo 9 - Vultos notáveis

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Vultos notáveis 

Toda cidade ou região tem certas características, em relação aos habitantes, que lhe dão uma fisionomia toda especial. É comum dizer que o povo de tal cidade é orgulhoso, amigo, hospitaleiro e instruído. O povo de Borborema, nos seus primeiros tempos, tinha a fama de valente. O seu nome, Fugidos caia bem, muitos indivíduos que aqui aportavam possibilidade de uma nova vida, pois eram fugidos da justiça a quem deviam prestar contas por diversos motivos. 

Os fazendeiros, senhores de seus feudos resolviam suas brigas na base de capangas e carabinas. Também o meio contrário, o sertão, exigia de cada um o aprimoramento na defesa pessoal, o policiamento e a justiça eram muito relativos. Os jovens criados nesse ambiente hostil, na falta de outro esporte no adestramanto de suas forças heróicas, aumentava a sua coragem em torneio que entravam como elementos decisivos a faca e a garrucha. As porteiras nas estradas mostravam sua tabúas arranhadas e perfuradas por balas. Eram alvos perfeitos para se exercitar a pontaria e testar a qualidade do instrumento. Raro era o domingo que o jogo de malha, uma briga de galos ou uma cantoria de violas, não terminasse em uma briga séria resultando em mortos e feridos. Tudo esportivamente. 

Houve um caso que ficou no desprendimento à vida que não valia muita coisa. Numa briga em que o motivo fosse o jogo, bebida, viola, desavenças por nada: José Rita, João Alfredo e João Carneiro, terminando em tiros e facadas. João Carneiro, jovem destemido e violeiro, levou a pior, com a barriga perfura por balas, não morreu na hora, mas depois de alguns dias. Esse personagem valente, prevendo seu fim próximo, improvisou modas cantadas de parceria com Camilo Macaco. Ao som da viola despedia-se do mundo que tão cedo lhe roubava um mundo de ilusões, cantou dias a fio, até as forças lhe faltarem, sem nunca reclamar do seu destino. Há muitos anos, lá por 1910 existiam o “Doutor Veludo” e o “Sabino”. Ambos pretos, pertencentes ao quilombo dos fugidos que vieram se esconder dos grilhões da escravidão. O doutor Veludo, tinha o costume de imitar uma banda de música, num dobrado marcial. 

O Sabino era um agregado de Gabriel Maria da Veiga. Docilmente com muita diplomacia, vinha aos domingos na vila para se divertir, divertindo aos outros mas sempre perdia-se pela vila não conseguindo voltar para casa. Andava várias horas a noite pelas ruas escuras e esburacadas, chamando pelo “Pai Gabriel”. Lázaro da Maria Júlia (Lazo), um débil mental, tinha paixão por carro de boi, mas como não era possível arranjou a sua imitação um carrinho com todos os paramentos, puxado por parelhas de bodes e cabritos. Fazia carretos de lenha por alguns tostões, também ganhava pedaços de fumo para seu inseparável pito de barro, rachando lenha para os moradores da vila. 

Vivia bravo com os moleques que o incomodavam com a frase: “O Lazo vai morrer e precisa apontar o caixão”. Perdia o controle, e perseguia os meninos até dentro das casas, ameaçando eles com seu relho armado de comprida tala de couro. Era o divertimento da molecada. Muitos anos depois em 1930, apareceu o Raimundinho. Ele dizia que foi marinheiro num dos navios da armada brasileira, pequeno de estatura, mulato, calvo e cego de um olho, vivia sem nunca trabalhar, pela caridade de todos. Educado mas um beberrão inveterado. De vez em quando saudoso de seus tempos de marinheiro vinha pelo meio da rua dançando e cantando a marchinha militar de sua preferência: “Olá, olé, olá, olá Mariquinha, olé vou mandar fazer um vestido a moda Tamandaré” (o navio em que serviu). 

O Zé Galinha também amigo inseparável da pinga, mas incansável. Quando passava pelas farmácias tinha a mania de perguntar ao farmacêutico: “O que é que mata cobra, e cobra mata”, referindo-se ao farmacêutico que vendendo seus remédios, mesmo mostrando ao freguês, cobrava o dinheiro do remédio que curava todos os males. O município também contava com o andarilho Ernestão lembrado por todos, e canonizado pela população local, sua sepultura é a mais visitada por devotos que segundo eles receberam alguma graça através do “santo” Ernestão. Todos os que trabalharam por Borborema, contribuíram para o progresso local, entretanto uma grande parte sempre considerou o meio em que vivemos um trampolim para suas atividades profissionais, demonstrando o interesse do vendedor que vinha vender seus produtos em Borborema. 

Foram grandes todos os pioneiros que chegavam olhando em direção ao sertão desconhecido. Plantaram, construíram, organizava o patrimônio preparando o caminho mais fácil para aqueles que vieram depois. Há também nos diferentes setores profissionais: lavoura, comércio, ensino e no plano espiritual, dignos representantes a quem Borborema reconhece como cidadãos ilustres porque borboremenses foram ou são por convivência. São apontados personalidades borboremenses como o Major José Claudino do Nascimento, foi um dos pioneiros. O regime político dos coronéis implantado no Brasil teve origem na Guerra do Paraguai, quando se a Guarda Nacional recebeu um grande contingente de voluntários. Depois os políticos e senhores latifundiários receberam títulos de oficiais dessa milícia. Vangloriavam-se desse privilégio, porque essas patentes sobrepunham-se aos valores intelectuais. 

Assim no cenário nacional contavamos com General Honorário Pinheiro Machado na política federal, coronéis, Fernando Prestes, Lacerda Franco, na estadual. Aqui no interior, Major Dario Carvalho em Araraquara (SP), Major Gereto e Capitão João Marques em Ibitinga (SP), capitão Venâncio Machado em Itápolis (SP), e em Borborema o Major José Claudino do Nascimento. Entretanto as mesmas patentes não eram válidas nas diferentes escalas políticas, o coronel fazendeiro do distrito nem por sombras tinha o mesmo valor que o Estadual. Este antes de tudo, era intelectual político de alta categoria. O Major Claudino foi um dos pioneiros que aqui chegaram vindos de Dourado (SP), com Maximino Alves de Morais, foram os maiores fazendeiros de Borborema. Ambos exerciam suas atividades, principalmente na criação de gado. 

Nesse tempo havia os agregados nas fazendas, que nas eleições se transformavam em capangas. O Major Claudino, era o senhor quase absoluto no seu feudo e por isso respeitado e temido. Conseqüentemente tinha voz ativa na política local. As suas terras de grande extensão, foi um dos pontos de partida da nossa colonização, foi um dos doadores do terreno para a fundação do patrimônio. Construiu as primeiras olarias para a fabricação de tijolos, onde cada casa levantada, era um acontecimento. Plantou as primeiras lavouras de café, grande criador de gado bovino. Para o Major José Claudino, Borborema era como uma filha a quem dedicou os seus melhores dias. 

Mais tarde foi substituído por seu filho Sebastião que como seu irmão Pedro, obtiveram as patentes de capitães. O capitão Sebastião Claudino do Nascimento foi expoente na política do distrito, vereador permanente na Câmara Municipal de Itápolis, decidia as eleições a força de seus capangas. Ninguém era admitido para os cargos públicos sem sua aprovação. O chefe da oposição era João Batista Leme. Entre as duas divisões do mesmo partido orientava os acordos politícos, o farmacêutico senhor Hugo Lippi

Foi nomeado Vice-Prefeito José Laporta, consequência da vitória da oposição em Itápolis, por larga margem de votos. Mas tudo foi anulado porque a eleição não foi realizada em prédio público. Então a minoria venceu, e uma grande e vistosa placa indicando a sede da Sub-Prefeitura foi colocada sob severas ameaças, pois tinha sido inaugurada com discursos e rojões. O Sub-Prefeito empossado foi Joaquim Saldanha, aliado dos Claudinos que não perdiam a aleição assim a toa. Quando Borborema passou a ser município em 1925 a influência política do Capitão Sebastião Claudino perdeu forças, consequência de sua ruína financeira. Morreu pobre e desamparado dos antigos correligionários e protegidos. 

De 1886 em diante, após a vinda de imigrantes italianos, é dificíl encontrar um povoado que surgiu no interior de São Paulo, que não tenha no nome de seus fundadores o nome de um desses elementos do trabalho e do progresso. Nicolau Pizzolante, depois de andar pelos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, quando esteve envolvido na revolta dos coronéis Dionísio e Capa-Preta, célebres latifundiários na imensidade daqueles sertões, veio de Boa Esperança do Sul (SP) para Fugidos em 1901. Chegando em Fugidos instalou a primeira casa comercial, procurando logo congregar os raros moradores dispersos para fundar o patrimônio, com a ajuda do Major Claudino, Antônio Flávio Simões, José Rosa da Silva e outros. Delineou as ruas principais, deixando uma delas com a largura exagerada, que hoje se justifica principalmente em relação ao tráfego urbano. 

Dividida judicialmente a Fazenda de Fugidos, tratou de obter das autoridades eclesiásticas o curato para o novo patrimônio de São Sebastião, a distinção desse patrimônio para Distrito Policial que ocorreu em 1905. Sempre trabalhando pelo interesse local, trabalhou para a criação do Distrito de Paz, obtido em 1909 aceitando definitivamente o nome de Borborema. Desde 1912, quando os trilhos da estrada de ferro Douradense atingiram Ibitinga, pleiteou o prolongamento dessa ferrovia até Borborema, o que veio a acontecer somente em 1939. A suas custas, abriu em plena mata virgem a estrada de comunicação de Fugidos com o patrimônio de Batalha (Reginópolis), do outro lado do Tietê, fazendo funcionar a primeira balsa para a travessia do rio, no lugar então denominado Porto Nicolau. 

Como colonizador, promoveu a vinda de muitas famílias de lavradores de café (Viu, Llabregatt, Matheus, Gengite, Mozzeto), loteando terras de sua propriedade a margem do Ribeirão dos Fugidos. Incorporou à cidade em 1939, cinco alqueires de terras aumentando o perímetro urbano. Trouxe para a cidade a primeira máquina de benefício de café. Isso hoje não é nada de extraordinário, porém, naqueles tempos representava índice de progresso. Nicolau Pizzolante, desde que aqui chegou trabalhou bravamente para o desenvolvimento de Borborema, em todos os setores. 

Autor: 
Jornalista José Commandini Neto 
netoborbo@bol.com.br

 

 







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